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O Primeiro Milagre Exclusivo e Identificatório do Messias: A Cura de um LEPROSO

A. Introdução

O primeiro milagre exclusivo e identificatório do Messias foi a cura de um leproso. Sob a Lei Mosaica, uma pessoa só podia ser contaminada por um corpo humano vivo ao tocar um leproso. Geralmente, sob a Lei Mosaica, uma pessoa podia tornar-se cerimonialmente imunda ou contaminada, ao tocar um cadáver (corpo morto) humano, um cadáver (corpo morto) animal, ou um corpo de animal imundo vivo, como o porco. Porém o único tipo de humano vivo capaz de causar contaminação era o leproso.

Desde o tempo intermédio entre a completação da lei Mosaica e a Primeira Vinda de Jesus, não houve qualquer registro de algum Judeu que tivesse sido curado da lepra. A cura da lepra de Miriam ocorreu antes da completação da Lei. Naamã foi curado da lepra, mas era um Gentio Sírio e não Judeu.

A lepra era uma doença que tinha sido deixada fora das curas rabínicas; não havia qualquer cura para a lepra. Apesar disso as Escrituras – Levítico 13-14 – davam ao sacerdócio Levítico instruções detalhadas quanto ao que deveriam fazer se um leproso fosse curado. No dia em que o leproso se aproximasse do sacerdócio e dissesse, "Eu era leproso mas fui curado", o sacerdócio deveria apresentar uma oferta inicial de duas aves. Durante os sete dias seguintes, deveriam investigar intensivamente a situação para se determinar três coisas. Primeiro, se a pessoa seria realmente leprosa. Segundo, se, de fato, tendo sido um verdadeiro leproso, fora realmente curada da sua lepra. Terceiro, se tendo sido verdadeiramente curada da sua lepra, quais tinham sido as circunstâncias da cura. Se após sete dias de investigação, eles ficassem firmemente convencidos de que a pessoa tinha sido leprosa, tinha sido curada da lepra, e as circunstâncias eram adequadas, então, ao oitavo dia, seguir-se-ia uma longa série de ofertas. Primeiro, havia uma oferta pela transgressão; segundo, uma oferta pelo pecado; terceiro, um holocausto; e quarto, uma oferta de manjares. Depois, havia também a aplicação do sangue da oferta pela transgressão sobre o leproso curado, seguida da aplicação do sangue da oferta pelo pecado sobre o leproso curado. A cerimônia chegava então ao fim com a unção de azeite sobre o leproso curado. Embora o sacerdócio tivesse todas estas instruções detalhadas quanto a como eles deviam responder ao caso de um leproso curado, nunca [durante mais de 1440 anos!] tiveram oportunidade de colocar em prática estas instruções: desde o tempo da dádiva da Lei de Moisés, nunca nenhum Judeu foi curado da lepra. Como resultado, era ensinado pelos rabis que apenas o Messias poderia curar um Judeu leproso. A cura do leproso foi, de fato, classificada como o primeiro dos três milagres exclusivos e identificatórios do Messias.

B. A Cura do Leproso

Os registros dos três Evangelhos que nos relatam a cura de um leproso são: Mateus 8:2-4, Marcos 1:40-45 e Lucas 5:12-16. Mateus e Marcos declaram meramente que o homem era leproso; mas Lucas, que era profissionalmente médico, apresentou mais detalhes. Segundo Lucas 5:12, o paciente estava cheio de lepra. Isso significa que a lepra estava no auge, e que não demoraria muito tempo para ela tirar a vida a este homem. Este homem muito doente, cheio de lepra, veio a Jesus e disse, Senhor, se quiseres, bem podes limpar-me. O leproso reconheceu claramente a autoridade de Jesus como o Messias que tinha o poder para curar um leproso. A única questão da parte do leproso era a voluntariedade de Jesus para o fazer. Nesta situação, lemos que Jesus tocou o leproso e logo a lepra desapareceu dele (Lucas 5:13). Mas devemos notar cuidadosamente o que Jesus disse ao leproso para fazer, segundo Lucas 5:14:

E ordenou-lhe que a ninguém o dissesse. Mas vai, disse, mostra-te ao sacerdote, e oferece, pela tua purificação, o que Moisés determinou, para que lhes sirva de testemunho.

O "lhes" refere-se especificamente à liderança de Israel. Jesus enviou este homem diretamente ao sacerdócio em Jerusalém a fim de forçá-los a prosseguirem com os mandamentos de Moisés em Levítico 13-14. Quando este homem apareceu diante do sacerdócio de Israel e se declarou um leproso purificado, nesse mesmo dia o sacerdócio ofereceu duas aves como sacrifício. Nos sete dias seguintes, eles investigaram intensivamente a situação e descobriram três coisas: Em primeiro lugar, descobriram que este homem tinha sido realmente leproso. Em segundo lugar descobriram que o homem fora perfeitamente curado da lepra. Em terceiro lugar, também descobriram que fora Jesus de Nazaré que curara o homem da lepra. Uma vez que estes mesmos sacerdotes ensinavam que a cura de um leproso era um milagre exclusivo e identificatório do Messias, seguir-se-ia daí que, se alguém curasse um leproso, poderia, por esse próprio ato, reclamar [declarar, reivindicar] ser o Messias. Jesus enviou deliberadamente este leproso purificado ao sacerdócio para levar os líderes a começarem a investigar as Suas alegações de ser o Messias, a fim de chegarem a uma decisão a respeito de tais alegações. Ele queria forçar os líderes Judaicos a tomarem uma decisão a respeito: da Sua Pessoa – que Ele era o Messias; e da Sua mensagem – que Ele estava a oferecer a Israel o Reino predito pelos profetas Judaicos. Ao ter enviado o leproso curado à liderança de Israel, Jesus retirou-se para os desertos, e ali orava (Lucas 5:16). Jesus foi para o deserto onde, numa ocasião anterior, tinha jejuado e sido tentado por Satanás. Desta vez foi para o deserto com o propósito de orar. Sobre que assunto estaria Ele a orar? Estaria a orar sobre o que aconteceria a seguir e como a liderança de Israel reagiria ao milagre exclusivo e identificatório do Messias.

C. A Reação Judaica

O que ocorreu a seguir vê-se em três dos Evangelhos: Mateus 9:1-8, Marcos 2:1-12 e Lucas 5:17-26. Marcos salienta que este incidente ocorreu em Cafarnaum, na Galileia, a muitos quilômetros de Jerusalém. E Lucas 5:17 declara:

E aconteceu que, num daqueles dias, estava ensinando, e estavam ali assentados fariseus e doutores da lei, que tinham vindo de todas as aldeias da Galileia, e da Judéia, e de Jerusalém. E a virtude do Senhor estava com ele para curar.

O que nós temos aqui, escutando o ensino de Jesus, não são meramente alguns líderes Judaicos da cidade de Cafarnaum. O registro de Lucas declara muito claramente que estavam ali reunidos todos os líderes Judaicos oriundos de todo o país (cercanias da Galileia, Judeia, e Jerusalém). Porque é que todos estes líderes Judaicos de repente têm uma convenção em Cafarnaum? Esta foi a reação deles ao primeiro milagre exclusivo e identificatório do Messias. Eles sabiam que Jesus tinha curado um leproso. De acordo com os seus próprios ensinos, apenas o Messias podia curar um leproso. Se Jesus tinha curado o leproso, isso podia significar muito bem que Ele era o Messias. É nestas circunstâncias que todos se juntaram para investigar Jesus.

Segundo a lei do Sinédrio, se houvesse qualquer espécie de movimento messiânico [alguém clamando e dando evidências de ser o Messias prometido por Deus], o Sinédrio deveria investigar a situação em duas fases. A primeira fase era chamada a "fase da observação". Era formada uma delegação para investigar apenas por via da observação. Esta delegação deveria observar o que estava a ser dito, o que estava a ser feito, e o que estava a ser ensinado. Não lhes era permitido colocar qualquer questão ou levantar qualquer objeção. Após um período de observação, deviam voltar então para Jerusalém, reportar ao Sinédrio e dar um veredicto: o movimento era significativo ou não? Se fosse decretado que o movimento era insignificante, a questão terminaria ali. Mas se o movimento fosse determinado significativo, então haveria uma segunda fase de investigação chamada a "fase da inquirição". Nesta fase, eles interrogariam o indivíduo ou membros do movimento. Desta vez, colocariam questões e levantariam objeções para descobrirem se alegações deveriam ser aceitas ou rejeitadas. O incidente em Lucas regista a primeira fase, a fase da observação, em que eles observavam o que Jesus dizia e fazia. Neste ponto não lhes era permitido levantar objeções ou colocar questões. Porque um milagre exclusivo e identificatório do Messias tinha sido realizado, todos os líderes do país inteiro tinham vindo a Cafarnaum para participarem na fase da observação – observarem o que Jesus dizia, fazia e ensinava. Quando o Messias estava a ensinar, um paralítico foi trazido por quatro amigos a Jesus a fim de ser curado. Mas, uma vez que os muitos líderes Judaicos bloqueavam a entrada, os cinco não conseguiam entrar. Eles subiram, então, ao telhado, fizeram nele um buraco e fizeram descer o paralítico aos pés de Jesus. Quando isto sucedeu, Jesus desviou-se do Seu procedimento normal. Não fez como fizera noutras ocasiões anteriores, avançando simplesmente com a cura do homem que Lhe fora trazido. Em vez disso, ficamos a saber por Marcos 2:5 –

E, vendo Ele a fé deles, disse-lhe: Homem, os teus pecados te são perdoados.

Em vez de curar o homem, Jesus fez um anúncio dramático - os teus pecados te são perdoados. Ele sabia muito bem que uma tal declaração diante de toda a liderança teria, com toda a certeza, uma reação negativa. De fato, foi exatamente isso que aconteceu. Em Marcos 2:6, lemos:

E estavam ali assentados alguns dos escribas, que arrazoavam em seus corações.

Lembremo-nos que esta era a fase da observação. Os que estavam ali a julgar só podiam observar; não lhes era permitido levantar questões ou objeções. Eles arrazoavam nos seus corações:

Por que diz este assim blasfêmias? Quem pode perdoar pecados, senão Deus? (Marcos 2:7)

A teologia deles estava absolutamente correta. Ninguém podia perdoar pecados a não ser Deus. Uma vez que Jesus declarou ter a prerrogativa de perdoar pecados, isso significava uma de duas coisas: Primeiro, isso poderia significar que Ele era um blasfemo. Segundo, Ele podia ser quem reclamava ser – a Pessoa Messiânica, o Messias. Foi neste ponto que Jesus dirigiu à liderança de Israel a seguinte questão:

Qual é mais fácil? dizer ao paralítico: Estão perdoados os teus pecados; ou dizer-lhe: Levanta-te, e toma o teu leito, e anda? (Marcos 2:9)

A questão era, o que é mais fácil de se dizer? Será mais fácil dizer a alguém, "estão perdoados os teus pecados", ou dizer a um paralítico, "Levanta-te, e toma o teu leito, e anda?" O que é mais fácil e difícil de dizer? Decerto que o mais fácil seria, "estão perdoados os teus pecados", porque isso não requeria evidência tangível, externa, eterna e observável. Porém a declaração de que um paralítico seria curado era de longe bem mais difícil de dizer, pois uma tal proclamação requeria evidência externa e observável.

Jesus prosseguiu dizendo que iria provar que podia proferir a declaração mais fácil - "estão perdoados os teus pecados" -, ao realizar o mais difícil das duas coisas, isto é, curando o paralítico. E avançou com a cura do paralítico. Houve evidência instantânea, observável, porque o homem podia erguer-se e andar, a ponto de até mesmo poder transportar o seu leito. Isto provava que Jesus também podia dizer (fazer) o mais fácil, ou seja, que os pecados deste homem eram perdoados. Se Jesus podia perdoar pecados, então isso significava que Ele era exatamente Quem clamava ser – a Pessoa Messiânica, o Messias.

Como resposta ao primeiro milagre exclusivo e identificatório do Messias com a cura de um leproso, começou a investigação exaustiva das Suas alegações de ser o Messias. Os líderes observaram Jesus clamar o direito a perdoar pecados. Por conseguinte, ou Ele era um blasfemo, ou o Messias. Uma coisa é evidente: A liderança de Israel regressaria a Jerusalém e decretaria o movimento de Jesus como significativo. Após este evento, Jesus ficou sujeito à segunda fase da investigação do Sinédrio, a fase da inquirição. Entre a realização do primeiro e o segundo milagre exclusivo e identificatório do Messias, por onde quer que Jesus fosse, um Fariseu decerto que O seguiria e eles não ficariam mais em silêncio. Por toda a parte que Jesus fosse, os Fariseus estariam sempre presentes e colocando questões e fazendo objeções, numa tentativa de verificar ou rejeitar as Suas alegações de ser o Messias.

Fonte: Arnold Fruchtenbaum - Tradutor: Carlos Oliveira, Portugal, 2004.