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O Segundo Milagre Exclusivo e Identificatório do Messias: A Expulsão de um DEMÔNIO MUDO

A. Introdução

Entre o primeiro milagre exclusivo e identificatório do Messias de Jesus (a cura de um leproso) e o segundo milagre exclusivo e identificatório do Messias, Jesus foi investigado pela liderança de Israel. Ele era interrogado e questionado em toda parte onde ia. A liderança aprendeu várias coisas. A coisa crucial que eles observaram foi que Jesus simplesmente não estava agindo conforme o judaísmo farisaico. Ele não estava aceitando a autoridade farisaica. Ele estava ensinando coisas que contradiziam a interpretação farisaica da Lei de Moisés. No Sermão do Monte, Ele havia repudiado o farisaísmo em dois pontos: Primeiro, como uma interpretação apropriada da justiça que a Lei de Moisés exigia; e segundo, como o tipo de justiça necessário para a entrada no Reino.

B. A expulsão de um demônio mudo

As circunstâncias do segundo milagre exclusivo e identificatório do Messias estão registradas em dois Evangelhos: Mateus 12:22-37 e Marcos 3:19-30. Marcos 3:21 declara: "E, quando os seus ouviram isto, saíram para o prender; porque diziam: Está fora de si".

Nesta altura, nas narrativas do Evangelho da vida e ministério de Jesus, parece haver um reconhecimento de que um alto ponto estava preste a ser alcançado. Até os Seus amigos consideravam o fato de que Jesus precisava se proteger dEle mesmo, por sentirem que o Seu zelo estava beirando a insanidade.

Então, Marcos 3:22 lê: "E os escribas, que tinham descido de Jerusalém, diziam: Tem Belzebu, e pelo príncipe dos demônios expulsa os demônios".

Embora este incidente aconteça na Galileia, ele foi investigado por uma delegação oficial de Jerusalém. A decisão foi alcançada, finalmente, pelo Sinédrio, a respeito das Suas afirmações messiânicas.

O evento que deslanchou a afirmação do Sinédrio está registrado em Mateus 12:22: "Trouxeram-lhe, então, um endemoninhado cego e mudo; e, de tal modo o curou, que o cego e mudo falava e via".

No verso 22, Jesus expulsa um demônio que fez a pessoa controlada ficar cega e sem fala (ou muda), significando que ela não podia falar.

O ato de expulsar demônios não era completamente fora do comum no mundo judaico daquele tempo. Até os rabinos fariseus e os seus seguidores tinham a capacidade de expulsar demônios. Mas expulsar demônios dentro do modelo do farisaísmo judaico exigia que se usasse um ritual específico, o qual incluía três estágios:

Primeiro, o exorcista precisava estabelecer comunicação com o demônio, pois, quando o demônio fala, ele usa as cordas vocais da pessoa em que ele habita. Segundo, após estabelecer comunicação com o demônio, o exorcista teria de descobrir o seu nome. Terceiro, após descobrir o nome do demônio, ele podia, pelo uso daquele nome, expulsar o demônio.

Há três ocasiões em que Jesus usou a metodologia judaica, como em Marcos 5, quando Ele, ao ser confrontado com um demônio, fez a pergunta: "Qual é o teu nome?" A resposta naquela ocasião foi: "Legião é o meu nome porque somos muitos".

Contudo, havia uma espécie de demônio contra a qual a metodologia judaica era impotente, e este era o tipo de demônio que fazia a pessoa ficar sem fala e muda. E, por não poder falar, não havia meio de estabelecer comunicação com esse tipo de demônio; nem, de maneira nenhuma, descobrir o seu nome. Então, dentro do modelo do Judaísmo, era impossível expulsar um demônio mudo. Contudo, os rabinos haviam ensinado que, quando viesse o Messias, Ele seria capaz de expulsar este tipo de demônio. Este foi o segundo dos três milagres exclusivos e identificatórios do Messias: a expulsão de um demônio sem fala (ou mudo). No verso 22, esse era exatamente o tipo de demônio que Jesus expulsou. No verso 12:23, de Mateus, isso levantou a exata pergunta entre as massas judaicas, que o milagre pretendia levantar: "E toda a multidão se admirava e dizia: Não é este o Filho de Davi?"

Não seria este o Messias judeu? Afinal, Ele estava realizando exatamente as coisas que lhes foram ensinadas, desde a infância, as quais somente o Messias poderia fazer. Eles nunca fizeram esta pergunta, quando Jesus expulsou outros tipos de demônios. Mas, quando Ele expulsou um demônio mudo, os judeus levantaram a questão porque reconheceram, a partir dos ensinos dos rabinos, que este era um milagre exclusivo e identificatório do Messias.

Contudo, as massas judaicas tinham sempre a tendência de agir conforme o chamado "complexo de siga e imite seu líder". Qualquer que fosse o caminho que os líderes seguissem, com certeza as massas os seguiriam. Consequentemente, através do Antigo Testamento, quando o rei fazia aquilo que era correto aos olhos do Senhor, o povo concordava. Mas quando o rei fazia o que era mau à vista do Senhor, o povo também o seguia. Mesmo neste tempo, quando os crentes judeus testemunham aos seus contatos judeus, eles sempre escutam a mesma objeção: "Se Jesus é realmente o Messias, então por que os nossos rabinos não acreditam nEle?" Nos tempos do Novo Testamento, por causa do controle que o Judaísmo farisaico exercia sobre as massas, este complexo de "siga e imite seu líder" era extremamente forte. Desse modo, conquanto as massas judaicas estivessem levantando a questão: "Não é este o Messias judeu?" elas não estavam desejando assumir sozinhas a decisão.

C - A Resposta Judaica

À luz do segundo milagre exclusivo e identificatório do Messias e do questionamento das massas, os líderes judeus viram que era preciso fazer uma declaração pública sobre a sua decisão final a respeito das afirmações messiânicas de Jesus. Eles tinham duas opções: A primeira, declarar que Ele era o Messias, à luz de toda evidência. Ou, a segunda, que era rejeitar Suas afirmações messiânicas. Se eles assumissem a segunda opção e rejeitassem as Suas afirmações de ser o Messias prometido por Deus, também teriam de explicar às massas judaicas o motivo Dele ser capaz de operar os exatos milagres que eles haviam dito que somente o Messias poderia operar.

Em Mateus 12:24, os fariseus escolheram a segunda opção: "Mas os fariseus, ouvindo isto, diziam: Este não expulsa os demônios senão por Belzebu, príncipe dos demônios".

Os fariseus escolheram a segunda opção e rejeitaram as afirmações feitas por Jesus de que Ele era o Messias. Para explicar a Sua capacidade de operar aqueles milagres tão exclusivos, eles afirmaram que o próprio Jesus estava possesso (ou demonizado) não por algum demônio comum, mas por "Belzebu, o príncipe dos demônios". O nome Belzebu é uma combinação de duas palavras hebraicas, que se juntam para significar "O senhor das moscas". Esta se tornou a base da rejeição ao fato de Jesus ser o Messias de Deus: Ele não era o Messias, mas apenas alguém possesso do demônio.

Conquanto resposta dos Fariseus ao primeiro milagre exclusivo e identificatório do Messias fosse o início da investigação, sua resposta ao segundo milagre exclusivo e identificatório do Messias foi a rejeição às afirmações feitas por Jesus de que Ele era o Messias. Eles disserem que Ele não era o Messias, mas um possesso do demônio. Esta ação da liderança de Israel montou o palco para a história judaica dos 2.000 anos seguintes.

D. O Julgamento

Jesus respondeu de duas maneiras.
- A primeira resposta foi a de defender-Se quando citou quatro coisas em Mateus 12:25-29. Ele disse que a acusação deles não poderia ser verdade, pois significaria a divisão do reino de Satanás. A segunda, que eles mesmos reconheciam que o exorcismo era um dom do Espírito, e até mesmo os seguidores deles podiam expulsar demônios, embora não demônios mudos. A terceira, que este milagre autenticava Suas afirmações e Sua mensagem. A quarta, que isso mostrava que Jesus era mais forte do que Satanás, ao invés de sujeito a Satanás.
- A segunda resposta foi uma condenação, Mateus 12:30-37. Nesta condenação, Jesus disse que esta geração era culpada de um "pecado imperdoável", a blasfêmia contra o Espírito Santo. Uma vez que este pecado era exatamente imperdoável, o julgamento seria agora estabelecido sobre aquela geração, um julgamento que não seria aliviado sob circunstância alguma. Tal julgamento veio, melhor dizendo, começou, quarenta anos depois, no ano 70 d.C., com a destruição do templo de Jerusalém. Tal julgamento continuou com a feroz e mortífera perseguição aos judeus em todas as nações por onde eles têm vagado em dispersão (particularmente com o Holocausto sob Hitler), e será completada na Grande Tribulação dentro da 70ª Semana de Daniel.

O que é, exatamente, o pecado imperdoável, dentro do contexto em que ele se encontra? Ele não é um pecado individual, mas um pecado nacional; ele foi cometido pela geração dos judeus do tempo de Jesus e não pode ser aplicado às gerações seguintes dos judeus. O conteúdo do pecado imperdoável foi: a rejeição nacional de Israel ao Messias Jesus, enquanto Ele estava presente, com a afirmação de que Ele estava possesso do demônio.

As pessoas daquele tempo poderiam e conseguiram escapar desse julgamento, como aconteceu com o Apóstolo Paulo. Também não é um pecado que possa ser cometido hoje. Neste ponto, a Bíblia é muito clara. Independentemente do tipo de pecado que alguém cometa hoje, todo pecado é perdoável a todo o indivíduo que for a Deus através de Jesus. A natureza do pecado é irrelevante. Todo pecado é perdoável para o indivíduo que vai a Deus através de Jesus, o Messias. Mas, para a nação como um todo, naquela geração particular, este único pecado tornou-se imperdoável.

Ao prosseguir este estudo, duas palavras chaves vão continuar aparecendo: "esta geração", porque esta geração foi culpada de um pecado exclusivo. Isto significava duas coisas. Primeira, que aquela geração do tempo de Jesus estava sob um julgamento, que não poderia ser aliviado e que resultaria na destruição do templo de Jerusalém, no Ano 70 d.C. Segunda, a oferta do Reino do prometido Messias fora rescindida; e não seria estabelecida naquele tempo, mas seria novamente oferecida a uma posterior geração judaica - a geração do Milênio.

Em Mateus 12:38-45, são encontradas a resposta dos fariseus e a subsequente resposta de Jesus. No verso 38, os fariseus precisaram retomar a ofensiva: "Então alguns dos escribas e dos fariseus tomaram a palavra, dizendo: Mestre, quiséramos ver da tua parte algum sinal".

Eles foram a Jesus e Lhe pediram outro sinal, como se Jesus precisasse fazer mais alguma coisa para autenticar o fato dEle ser o Messias. Ele havia operado toda sorte de milagres, desde o início do Seu ministério, incluindo os vários milagres que eles mesmos haviam rotulado como milagres exclusivos e identificatórios do Messias. Mesmo assim, eles rejeitavam Suas afirmações. Então, Ele disse que, por causa da sua rejeição, eles haviam cometido o pecado imperdoável e não mais receberiam sinais, exceto "o sinal do profeta Jonas", o sinal da ressurreição.

É pura verdade que Jesus continuou a operar milagres, mesmo após este evento, mas o propósito dos Seus milagres mudou. Já não era o mesmo propósito que houvera, até aquele tempo: servir de sinais para levar Israel a uma decisão referente às afirmações do Messias. Em vez disso, o propósito dos Seus milagres, a partir de então, foi o de treinar os doze apóstolos para o tipo da obra que eles precisariam realizar, por causa desta rejeição. Quanto à nação, não haveria mais sinais, exceto um: o sinal de Jonas, o sinal da ressurreição.

Tendo anunciado esta nova política referente aos sinais, Jesus prosseguiu com as palavras do julgamento, em Mateus 12:41-42, com ênfase sobre aquela geração: "Os ninivitas ressurgirão no juízo com esta geração, e a condenarão, porque se arrependeram com a pregação de Jonas. E eis que está aqui quem é mais do que Jonas. A rainha do meio-dia se levantará no dia do juízo com esta geração, e a condenará; porque veio dos confins da terra para ouvir a sabedoria de Salomão. E eis que está aqui quem é maior do que Salomão".

Jesus deu o exemplo de dois elementos gentios do Antigo Testamento: os homens de Nínive e a Rainha de Sabá. Estes foram gentios que tiveram somente uma porção da revelação; mas, corresponderam, com a luz que tinham. No julgamento do Grande Trono Branco, estes gentios poderão estar a postos, para condenar aquela especial geração judaica, como culpada do pecado imperdoável.

As palavras do julgamento terminam com uma estória sobre demônios, nos versos 43 - 45. Não foi um demônio expulso, mas um demônio que, de sua livre vontade, saiu em busca de um lugar melhor para viver. Ele o buscou, por algum tempo; mas, quando conseguiu encontrar algumas vagas, decidiu voltar à pessoa da qual antes tomara a iniciativa de sair. Em seu regresso, ele o encontrou "desocupado, vazio e adornado". Ele novamente entrou no homem, mas já não querendo viver sozinho. Então, convidou sete dos seus colegas demônios para a ele se juntarem e, quanto ao homem, "o seu estado ficou pior do que o primeiro." No princípio, ele tinha apenas um demônio nele, mas porque ficou desocupado não creu e recebeu Cristo e passou a ser habitado pelo Espírito Santo, agora havia oito demônios habitando nele. No intervalo entre a primeira e a segunda habitação do demônio, o homem não foi habitado por nenhum outro espírito além daquele constituinte dele próprio, claro, quer fosse o Espírito Santo ou um espírito demoníaco.

O que fora verdade para aquele indivíduo, seria verdade para aquela geração. Aquela geração começou com a pregação de João Batista, o qual anunciou a próxima vinda do Rei. Embora estivessem sob o domínio romano, eles mantinham uma identidade nacional com Jerusalém e o Templo continuava de pé. Mas, 40 anos depois que estas palavras foram ditas, as legiões de Roma invadiram a Judéia, Jerusalém foi destruída e o templo derrubado, até que não restasse "pedra sobre pedra". O último estado desta geração tornou-se pior do que o primeiro.

O ponto chave da estória, no final do verso 45 é: "Assim acontecerá também a esta geração má".

E. A Mudança no Ministério do Messias

Neste ponto, o ministério de Jesus mudou, radicalmente, em quatro áreas principais. Estas quatro mudanças podem ser compreendidas apenas sob a luz do cometimento do pecado imperdoável, em resposta à rejeição do segundo milagre exclusivo e identificatório do Messias.

1. Com respeito ao propósito dos Seus milagres

A primeira mudança foi em relação ao propósito dos Seus milagres. Conforme antes declarado, o propósito dos Seus milagres já não era o de servir como sinais a Israel, a fim de levar Israel a tomar uma decisão concernente às Suas afirmações de ser o Messias por Deus prometido. A decisão fora tomada. Em vez disso, o propósito dos Seus milagres passou a ser o de treinar os doze discípulos para o tipo da obra que eles deveriam realizar, por causa dessa rejeição. Essas obras foram realizadas, conforme o Livro de Atos. Mas, para a nação, não haveria mais sinais, exceto um: o sinal de Jonas, o sinal da ressurreição.

2. Concernente à Base dos Seus Milagres

A segunda mudança foi concernente às pessoas para quem Ele realizou os milagres. Contudo, até o tempo deste evento, quando Ele realizava milagres o fazia em benefício das massas, sem delas exigir que antes tivessem fé. Mas, a partir deste ponto, Ele só realizava milagres em benefício de indivíduos, em resposta às necessidades individuais. E exigia que, primeiro, eles tivessem fé. Até o tempo deste evento, sempre que curava uma pessoa Ele mandava que ela fosse e proclamasse as grandes coisas que Deus havia feito por ela. Mas, a partir deste ponto, Ele dizia ao indivíduo curado a não contar sobre o que Deus havia feito por ele.

3. Concernente à Mensagem dEle ser o Messias

A terceira mudança dizia respeito à mensagem que Ele e os Seus discípulos pregavam. Até este evento, Ele e os Seus discípulos percorriam toda Terra de Israel, proclamando o fato dEle ser o Messias, e Ele até enviou os Seus discípulos de dois em dois, para fazerem exatamente isso. Mas, a partir deste ponto, Ele iria proibir os Seus discípulos de proclamar que Ele era o Messias. Quando Pedro fez a grande confissão, em Mateus 16:16,"Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo", Jesus o instruiu a não dizer a pessoa alguma que ele era o Messias.

4. Concernente ao Método do Seu Ensino

A quarta mudança referiu-se ao Seu método de ensino. Até este evento, quando ensinava às massas, Ele o fazia clara e distintamente, em termos que ela pudesse entender. Um exemplo disto foi o Sermão do Monte, em Mateus 5-7. Mateus mostra que o povo entendia o que Ele estava dizendo; mostra porém, mais significativamente, quando Ele discordava dos escribas e fariseus. Contudo, a partir deste ponto, sempre que ensinava às massas, Ele só o fazia em parábolas. Em Mateus 13:10-14, quando ele iniciou o Seu método de ensino através de parábolas, os discípulos Lhe perguntaram: "Por que lhes falas por parábolas?" Jesus respondeu que o método parabólico de ensino foi usado com o propósito de esconder a verdade das massas.

Observem a declaração muito gráfica em Mateus 13:34: "Tudo isto disse Jesus, por parábolas à multidão, e nada lhes falava sem parábolas".

Às massas, Ele falava somente por parábolas. Isto não aconteceu, antes da rejeição, em Mateus 12. A verdade é que tal aconteceu somente após a rejeição. É literalmente impossível entender por que o ministério de Jesus mudou nestas quatro áreas principais, a não ser que entendamos quão crucial foi o pecado imperdoável da rejeição do fato dEle ser o Messias, sob a acusação de possessão demoníaca, a qual foi uma resposta direta ao segundo milagre exclusivo e identificatório do Messias. Já lhes fora dada luz suficiente. Eles rejeitaram a luz que tinham, portanto mais nenhuma luz lhes seria dada.

F. Outro Demônio Mudo

Mateus 17:14-20, Marcos 9:14-29 e Lucas 9:37-43 registram um incidente relativo ao tempo em que Jesus e três discípulos desceram do monte, onde Ele foi transfigurado. Quando eles voltaram para os outros nove discípulos, que haviam sido deixados para trás, encontraram um problema; um homem trouxe aos Seus discípulos seu filho possesso de um demônio, e os discípulos foram incapazes de expulsar aquele demônio. Também é interessante notar que o incidente fora instigado e inflamado, e estava sendo explorado pelos escribas e fariseus.

Conforme Marcos 9:14: "E, quando se aproximou dos discípulos, viu ao redor deles grande multidão, e alguns escribas que disputavam com eles".

Os escribas ali estavam para instigar e inflamar esta situação em particular. Um jovem possuído por um demônio específico fora trazido àqueles discípulos, os quais tentaram, porém não conseguiram expulsar o demônio. Isto de algum modo veio a refletir a todos que Jesus era o Messias. Quando confrontado com o endemoninhado, Ele pôde expulsar o demônio. O que era especial neste problema? Os discípulos haviam conseguido expulsar outros demônios, antes. Por que, então, não conseguiram expulsar este demônio de agora?

Marcos 9:17 revela qual era o tipo daquele demônio: "E um da multidão, respondendo, disse: Mestre, trouxe-te o meu filho, que tem um espírito mudo"... Este era um demônio mudo e a expulsão de um demônio mudo foi o segundo milagre exclusivo e identificatório do Messias. Quando os discípulos não puderam expulsar aquele demônio mudo, eles refletiram sobre a afirmação de que Jesus era o Messias. Mas, em seguida, Ele veio e expulsou o demônio, tendo, assim, operado o segundo tipo de milagre exclusivo e identificatório do Messias.

Em seguida, Marcos 9:28-29 registra por que os discípulos não puderam fazê-lo: "E, quando entrou em casa, os seus discípulos lhe perguntaram à parte: Por que o não pudemos nós expulsar? E disse-lhes: Esta casta não pode sair com coisa alguma, a não ser com oração e jejum."

Observem o que Jesus disse aqui: "Esta casta não pode sair com coisa alguma, a não ser com oração e jejum." Significando um demônio mudo, nesta declaração, Ele autenticou a observação farisaica de que demônios mudos eram diferentes e não podiam ser expulsos da maneira comum.

Ele disse aos discípulos que a razão pela qual eles não haviam conseguido expulsar o demônio mudo foi porque estavam usando o método errado. Conquanto outros demônios pudessem ser expulsos em o nome de Jesus, no caso do demônio mudo ele só poderia ser forçado a sair, por meio da oração. O que os discípulos deveriam ter feito, além de usar a metodologia normal, que funcionava com outros tipos de demônios, era simplesmente confiar em Deus Pai para que Ele o fizesse por eles. Assim Jesus autenticou a observação farisaica de que os demônios mudos eram diferentes.

Fonte: Arnold Fruchtenbaum - Tradutora: Mary Schultze, 06/12/2013.