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Uma história de amor

As novelas e filmes estão cheios de histórias de amor que emocionam. Conheço uma história assim. Inspira muito mais, porque é real.

Ele, homem sério, correto, íntegro. Rígido em seus princípios, leal em seus relacionamentos. Com seus defeitos, claro, quem não os tem?

Ela, mulher virtuosa, cheia de talentos, aplicada a servir aos seus e a qualquer um que precisasse. Com seus defeitos, claro, ninguém é perfeito.

Um dia se encontraram, se amaram, se uniram. Formaram uma família, uma grande família. Cinco filhos, muitos netos, bisnetos. Mais de sessenta anos de mãos dadas, dedicados um ao outro. E a Deus.

Mas não foi sempre assim. Ela investiu anos de oração para que ele pudesse crer e se tornar como ela, um bom cristão. O amor é paciente; o verdadeiro amor espera. Ele acabou por crer e com o tempo se tornou sábio na Palavra de Deus. Não havia texto que não soubesse, mandamento que não encontrasse em algum verso de algum capítulo dos sessenta e seis livros sagrados que, obviamente, estudava.

O avivamento entrou pela sua casa. O lar se tornou um templo. Os filhos foram formados nos princípios e valores do reino de Deus. E quem mais ali entrasse, não saía sem um desafio para experimentar a fé de uma forma prática e verdadeira.

Eu mesmo, tive minha grande experiência com Jesus e seu Espírito na sala daquela casa, de joelhos, numa reunião de oração. Nunca mais fui o mesmo.

Os dons do Espírito Santo eram manifestados ali, mas não como sino que retine, pois o amor, supremo dom, se expressava de forma intensa a todos que se aproximavam. Enquanto ensinava seus bordados, ela instruía discípulas nas verdades eternas. Ao redor da mesa da sala de jantar, muitas vidas foram transformadas.

Ele acolhia com palavras firmes e oração fervorosa. No trabalho, lidando com o dinheiro, nenhum deslize; honestidade e correção acima de tudo. Modelo mais do que necessário nos dias atuais. Afinal o amor não se alegra com a injustiça, mas regozija-se com a verdade.

Os anos, implacáveis, passaram. A idade avançou. Pequenos problemas de saúde progrediram para outros mais sérios. Mas o amor tudo sofre, tudo crê, tudo suporta. E as limitações que vieram não abalaram a fé nem impediram a manifestação do amor a Deus e ao próximo. Os que iam visitá-los, nunca saíram sem tomar um café fresco com um pãozinho caseiro.

Ele piorou. Ela se dedicou mais. Superando dores e os próprios problemas, quase que ignorando a própria enfermidade, pois o amor nunca busca seus interesses. Assim como Cristo, que se esvaziou e se entregou para servir ao necessitado, ela se deu completamente por ele. Fez o que pode, sacrificou-se sem reclamar.

Ele se foi. Ela considerou combatido o seu combate, sua missão cumprida e como o amor jamais acaba, o seguiu. Foram viver juntos na eternidade, na presença daquele a quem serviram tão diligentemente.

Ficou a história. Uma história verídica de amor intenso a Deus e ao próximo. Exemplo a ser seguido, inspiração para os que tiveram o privilégio de conhecê-los e de serem abençoados com os respingos desse amor.

Fonte: Ed Chagas