Biografias Cristãs

Uma galeria de pessoas que, através de seus pensamentos e interpretações da bíblia, influenciaram seu tempo.

Watchman Nee

Nee converteu-se ao cristianismo aos 17 anos de idade quando era aluno da Faculdade Trinity em Fu Tchow, preferindo ser evangelista a ter carreira universitária. Após a sua conversão mudou seu nome de Nee Shu-tsu para Nee To-sheng, pois havia um costume local de que sempre que acontecia um evento que mudasse uma pessoa, esta pessoa mudava de nome, no caso de Nee, foi sua conversão ao Cristianismo. Depois adotou um novo nome em inglês "Watchman" (Sentinela) e um novo nome chinês "To-sheng", o qual significa "alarme de sentinela", porque ele se considerava como uma sentinela levantada para soar um alarme na noite escura.

Inicialmente trabalhou com a Igreja Metodista, porém, descontente com as igrejas denominacionais, Nee aderiu aos Irmãos de Plymouth. A congregação de Nee em Xangai logo cresceu, chegando a ter 3.000 membros, obrigando-o a realizar algumas mudanças – ele multiplicou a igreja em 15 grupos familiares, apelidando-os de "Pequeno Rebanho". Cada grupo familiar, centrado no evangelismo, consistia de até 200 membros. Na década de 1940 havia 470 grupos afiliados à igreja de Xangai. Um dos seus discípulos e cooperadores mais famosos foi Witness Lee.

Em 1941, com a ocupação de Xangai pelos japoneses, foram impostas restrições sobre os membros da igreja e as finanças foram reduzidas antecipando o que ainda estava por vir. Nee e seu irmão estabeleceram uma empresa farmacêutica para ajudar a complementar as necessidades financeiras da igreja.

Em 1949 o Partido Comunista Chinês derrubou o governo nacionalista e proclamou a República Popular da China. No começo, a igreja ficou esperançosa com o novo governo, mas após dois anos a situação começou a mudar quando os comunistas revelaram os seus planos de controlar a igreja.

Através de seu Movimento da Reforma da Tripla Autonomia, o governo visava tornar as igrejas protestantes auto-governada, auto-sustentada e auto-propagada. Ela foi colocada sob a autoridade da Agência de Assuntos Religiosos, a qual pressionou as igrejas a persuadir os missionários a deixarem a China, expurgando do país os "imperialistas’.

Durante esse tempo, os grupos familiares resistiram a se unir à Igreja Cristã Nacional (sob o controle do governo comunista) pois considerada como uma organização fantoche. Milhares dos seus membros foram mortos ou feitos prisioneiros. Freqüentemente infiltrada por informantes comunistas, as igrejas eram forçadas a realizar reuniões para encorajar a autocrítica e a reforma. Os pastores foram acusados de colaboradores das potências estrangeiras e Nee logo foi acusado de liderar um grande sistema secreto que distribuía veneno anti-revolucionário.

Em 1952 Nee foi preso e submetido a quatro anos de "reeducação". Antes de ser preso, ele ajudou a organizar várias igrejas subterrâneas.

Em 1956 ele e outros membros da igreja foram condenados a quinze anos de prisão na Primeira Prisão Municipal de Xangai.

Ele deveria ter sido posto em liberdade em 1967, durante a Revolução Cultural, mas teve a sentença ampliada, e o governo deu início a outro ataque furioso contra a igreja. Os cultos foram interrompidos e todos os edifícios religiosos deveriam ser "secularizados". Os comunistas prometeram libertar Nee se ele concordasse em não voltar a pregar. Nee não aceitou e foi transferido para outra prisão onde acabou morrendo. As evidências indicam que foi assassinado dentro da prisão poucos meses antes da data programada para sua libertação, tendo sido seu corpo cremado e entregue aos familiares como cinzas.

As palavras do ministério de Watchman Nee estão atualmente preservadas em centenas de livros. Seus escritos foram traduzidos em vários idiomas, inclusive o português, e estão sendo impressos até hoje. Em linhas gerais, abrangem dois aspectos: 1) a espiritualidade cristã; 2) a organização da igreja cristã. O primeiro aspecto é, geralmente, muito apreciado pelos cristãos. Já o segundo aspecto é objeto de controvérsias, pois Nee advogava o retorno à forma primitiva de identificação da igreja, em seu reunir, que segundo sua perspectiva, baseadas em vários trechos do Novo Testamento (a igreja em Corinto, igreja em Éfeso, Igreja em Jerusalém, etc...), estes que demonstram que em cada cidade deveria haver uma só igreja, para que assim Corpo de Cristo fosse verdadeiramente um, tanto em realidade espiritual, quanto na unidade prática.